Istambul (Turquia) – 36 horas de imprevistos

Olá pessoal,

Hoje falaremos sobre nossas 36 horas na única cidade do mundo que fica em dois continentes: Istambul. Com mais de 11 milhões de habitantes, muita gente se confunde e acha que Istambul é a capital turca, porém é Ankara, com cerca de 4 milhões, que leva esse título.

Cidade muito elogiada em todos os blogs e fóruns que frequentamos, infelizmente não demos sorte por lá. Praticamente tudo que deu errado na viagem, aconteceu lá, e por conta disso acabamos não curtindo como havíamos programado para curtir a cidade. Antes de falarmos sobre o que visitamos por lá, vamos à uma breve lista das situações que passamos por lá:

  1. Nas 36 horas que ficamos lá pegamos no máximo três horas sem chuva.
  2. Logo na chegada, pegamos um ônibus no aeroporto em direção a Taksim, bairro onde estava nosso hotel. Do local que o ônibus para até o hotel não dá sequer um quilômetro, porém como estava chovendo e existiam algumas subidas no caminho, optamos por pegar um táxi. O taxista nos enganou e deu algumas voltas para chegar exatamente ao mesmo ponto de partida, e só então finalmente “encontrou” o hotel. Pagamos 50 liras turcas pelo excelente “serviço”, sendo que no dia em que saímos do hotel pagamos 5 liras turcas pelo mesmo trajeto para um taxista chamado pelo dono do hotel.
  3. O trânsito é uma loucura. Em pleno sábado a noite, que foi o dia que iríamos embarcar para a Capadócia, pegamos congestionamento atrás de congestionamento para chegar ao aeroporto do lado asiático. Ainda no dia que chegamos o taxista entrava em ruas que deveriam ter sentido único pois mal passava um carro. Porém para nossa surpresa estas pequenas vielas eram mão dupla, e para piorar ainda mais a situação haviam carros estacionados em AMBOS os lados, ou seja: pensem no inferno que não era quando dois carros se encontravam.
  4. Os turcos encaram as mulheres e sequer disfarçam. Mesmo mulheres acompanhadas eram encaradas sem pudor algum.
  5. Não há integração gratuita no transporte público. Num dia em que pegamos o metrô, andamos apenas uma estação e já tínhamos que pagar novamente uma passagem.
  6. É difícil encontrar cerveja. País com 99% de muçulmanos, a bebica alcoólica quase não é comercializada. Nos restaurantes, é claro, era mais fácil achar.
  7. Quase perdemos um voo de conexão no aeroporto. Quando estávamos indo da Capadócia para Belgrado, nosso voo tinha uma escala em Istambul de aproximadamente 1 hora e meia. No entanto, nesse tempo ainda teríamos que passar pela fila da imigração. Descemos do avião e ao chegar na fila nos deparamos com nenhuma organização e filas quilométricas. Entramos na primeira fila que aparentemente estava mais rápida, e nesse meio tempo tentamos falar com os funcionários turcos da Pegasus Airlines, porém TODOS foram extremamente grossos e não nos ajudaram em nada. Depois de ficarmos uns vinte minutos nessa fila, fomos informados por uma funcionária do aeroporto que ali era como se fosse uma “fila expressa”, e para estar lá você teria que ter um cartão especial o qual você pagava €10. Saímos então para a outra fila, mas percebendo que dificilmente chegaríamos a tempo no portão de embarque, fomos obrigados a pagar a pequena “taxinha” para pegar a fila preferencial, que nada mais era uma fila que passava na cabine de passaportes diplomáticos, ou seja, uma “brilhante” e desonesta ideia de ganhar dinheiro. Passamos pela imigração e no monitor já constava como última chamada para nossa conexão, e então no melhor estilo “Esqueceram de Mim” saímos correndo para chegar a tempo e não perder o voo.

Bom, vamos falar um pouco mais do que havíamos programado e o que conseguimos fazer. A cidade tem alguns pontos turísticos praticamente obrigatórios para qualquer turista:

  • Blue Mosque
  • Agia Sophia
  • Grand Bazaar
  • Basilica Cisterna
  • Tokpaki
  • Ponte e Torre de Gálata

Em nosso roteiro original iríamos visitar todos estes seis locais e ainda mais alguns outros, como mesquitas e até um passeio de barco pelo Bósforo, o estreito que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e marca o limite dos continentes asiático e europeu na Turquia. Esse passeio tinha como principal objetivo parar do lado asiático e visitar o recém inaugurado bar temático baseado no seriado Breaking Bad.

No entanto, nosso roteiro executado foi complemente diferente. Já no dia de nossa chegada acabamos não saindo dos arredores do hotel pois a chuva estava muito forte e já passava das 18h quando chegamos por lá. Nesse dia apenas saímos para jantar e voltamos para o hotel, esperando que o dia seguinte teríamos mais sorte com o clima e poderíamos visitar todos os pontos.  A pizza de oito fatias saiu por 20 liras turcas (aproximadamente R$30) e o pedaço de cheesecake foi 10 liras (R$15)

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No dia seguinte acordamos próximo das 08h e a chuva estava ainda mais forte, então optamos por esperar mais algum tempo no hotel para ver se o tempo melhorava. Lá pelas 10h a chuva deu uma amenizada e então finalmente saímos para explorar um pouco a cidade. Conforme vocês podem notar no mapa abaixo, a maioria dos pontos turísticos podem ser visitadas a pé mesmo, pois ficam relativamente perto um do outro.

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Para sair do bairro que estávamos (Taksim) e chegar próximo aos pontos turísticos com certeza a maneira mais rápida e fácil é a combinação metrô/tram (espécie de trem de superfície). Porém, conforme já comentado acima, não há uma integração gratuita. A maneira mais em conta de andar com transporte público é uma espécie de cartão magnético chamada IstanbulKart, que você compra por em máquinas específicas e recarrega em diversos guichês espalhados pela cidade.

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Porém, como muita coisa deu errado nessa cidade, as máquinas que vendiam o cartão ou estavam estragadas ou estavam desligadas na estação inicial de nosso passeio (Taksim). Ou seja, tivemos que comprar uma espécie de token individual para essa primeira viagem, pagando 4 liras turcas (R$6) para andar apenas uma estação (chegando em Kabatas) em cerca de dois minutos.

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Chegando na estação de Kabatas, novamente as máquinas que vendiam o cartão estavam estragadas, e acabamos contando com a ajuda de um vendedor turco (vale observar que a maioria dos turcos com quem interagimos sempre foram muito solicitos e simpáticos), que nos vendeu o cartão por 10 liras turcas (o preço normal na máquina é de 6 liras turcas). Um detalhe importante é que o cartão pode ser compartilhado entre mais pessoas, tornando-o muito vantajoso pois pagaríamos apenas 2,15 liras turcas na passagem anterior que pagamos 4 individualmente, ou seja, em duas viagens o custo inicial dele acaba sendo pago, mesmo comprando de um “cambista”.

O cartão pode ser recarregado nas mesmas máquinas que vendem o cartão (porém para o recarregamento as máquinas estavam funcionando). Falando um pouco mais da malha de transporte urbano em Istambul, podemos dizer que ela é muito bem servida nesse aspecto, como vocês poderão notar no mapa abaixo:

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De Kabatas seguimos viagem até a estação de Sultanahmet, que fica bem próxima da Mesquita Azul (também chamada pelo mesmo nome da estação). Antes de chegar a Blue Mosque (única mesquita de Istambul com seis minaretes) também paramos na Mesquita de Süleymaniye. Em ambas apenas tiramos fotos de seu exterior:

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Mesquita de Süleymaniye

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Mesquita Azul

Logo a frente da Mesquita Azul está localizada a Basília de Santa Sofia, conhecida na língua local como Agia Sophia. Construída no século V, é uma obra prima de arquitetura, sobretudo para a época em que foi construída pelo Império Bizantino para ser a catedral de Constantinopla. Até meados do século XV foi a maior catedral do mundo, quando a de Sevilha tomou o seu ponto. Entre os séculos XIV e XIV foi convertida para uma mesquita, e hoje em dia é um museu, onde paga-se salgadas 30 liras turcas (R$45) para entrar. Apesar da fila lá fora assustar, existem dezenas de bilheterias que fazem a fila andar rapidamente. O interior da construção é o que mais impressiona, sobretudo o ouro presente.

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Praticamente do outro lado da rua está localizada a Cisterna da Basílica, a maior cisterna das centenas existentes em Istambul e construídas durante a ocupação do Império Bizantino. Tem capacidade para 30 milhões de litros e foi usada inclusive numa das cenas de um filme do 007. Lá a entrada custa 20 liras turcas (R$30), e o passeio é feito rapidamente, em cerca de 15 a 20 minutos.

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Um pouco mais distante dali (cerca de cinco quadras) fica talvez o ponto mais frequentado por turistas em Istambul: o Grand Bazaar. Segundo a Wikipedia é “provavelmente” o maior mercado coberto do mundo, com mais de 60 ruas cobertas e 1000 lojas (sim, 1000 lojas!!). Assim como em muitas grandes cidades brasileiras, é possível observar um agrupamento de lojas por tipo de produto, até para facilitar a sua caminhada lá dentro.

Assim como o que já havíamos vivenciado em Bali, os turcos adoram uma negociação, e em todas as compras que fizemos tivemos descontos entre 20 e 40% do preço inicial. As principais lojas vendem jóias, cerâmicas, tapetes, lenços e especiarias, mas você também encontrará dezenas de lojas vendendo artigos de souvenir, lenços e outros itens.

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Para ilustrar um pouco mais, segue alguns itens que compramos por lá:

  • três ímãs de geladeira por 10 liras turcas (R$15)
  • lenços de pashmina por 50 liras turcas (R$75)
  • abajur característico por 20 liras turcas (R$30)

Já passava das 17h, estava começando a escurecer e a chuva estava começando a apertar, então embarcamos na linha azul do tram ali perto e voltamos para próximo ao hotel, onde acabamos jantando num McDonald’s ali perto mesmo (o almoço foi num Subway).

Finalizando esse post, com certeza gostaríamos de ter tido ao menos um pouco mais de sorte e ao menos um tempo com sol na cidade, pois com certeza ficaríamos muito mais felizes e faríamos muito mais atividades. Devido à toda combinação de fatores negativos que convergiram por lá, acabamos não curtindo muito a cidade, mas vale a pena reiterar que precisaríamos de mais uma oportunidade com tempo melhor para explorar a mesma e ter uma opinião definitiva sobre a mesma. Infelizmente a experiência que tivemos não foi das melhores!

2 thoughts on “Istambul (Turquia) – 36 horas de imprevistos

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