Sarajevo (Bósnia) – O renascer de uma cidade

Depois de nossa agradável permanência na Sérvia, hoje falaremos um pouco mais das quase 48 horas que passamos na capital da Bósnia-Herzegovina: Sarajevo, a cidade praticamente destruída depois da Guerra no início da década de 90, mas que vem sendo reconstruída e onde cresce a cada ano a quantidade de turistas que a visitam: em 2010 foram cerca de 210 mil turistas, já em 2014 esse número ultrapassou 300 mil.

Porém, antes de falarmos especificamente do que fizemos na cidade, vale a pena comentar um pouco de nossa pequena aventura para chegar até lá partindo de Belgrado. Existem basicamente três opções para fazer o trajeto:

  1. Avião
  2. Ônibus
  3. Van particular
  4. Trem (opção descartada após lermos que o trajeto de 300 km leva 8 horas em trens nada modernos)

A primeira opção foi a segunda descartada após verificamos que a passagem por pessoa saía por mais de 100 euros. Já a possibilidade do ônibus foi deixada de lado pois há somente um horário por dia (22h30) e iria comprometer bastante nosso roteiro, pois queríamos sair cedo de Belgrado. Portanto ficamos com a terceira opção, mas isso não significa que foi fácil. Primeiramente a comunicação certamente não é o forte do pessoal de lá, pois trocar e-mails com a companhia GEA Tours era um verdadeiro parto. O máximo de informação que conseguimos extrair foi o preço (excelentes 20 euros por pessoa) e que o motorista iria nos pegar na porta do local origem e iria nos deixar na porta do local destino.

Com a ajuda da Aleksandra, nossa anfitriã em Belgrado, acertamos o horário que a van passaria no nosso apartamento (perto das 08h). Pontualmente ela chegou lá, e o motorista inclusive estava muito bem trajado (trajes sociais, incluindo terno). A van não era nenhuma maravilha, mas pelo que pagamos não poderíamos esperar nenhuma primeira classe. Na van foram apenas mais dois passageiros, e então seguimos viagem rumo a Sarajevo.

Além do motorista ter dois celulares e passar boa parte da viagem falando ou mandando mensagens (e em alguns momentos tirando fotos!), a porta da van passou praticamente metade do tempo sem fechar, ou seja, a prima da Aline tinha que ficar segurando ela para ela não abrir, sobretudo nas curvas. Para finalizar, já na Bósnia, tivemos que parar no meio da pista para que um pequeno rebanho de ovelhas saísse do caminho.

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Apesar destes pequenos “imprevistos”, o motorista era muito gente boa e inclusive faz todos os trâmites necessários na fronteira entre Sérvia e Bósnia: sequer precisamos sair da van. Além disso o trajeto é muito bonito e rende belas fotos, como vocês podem observar nos cliques abaixo:

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O outro casal que estava junto na van não iria até Sarajevo: estava rolando uma espécie de conferência pelo meio ambiente num hotel perto da fronteira, e eles ficaram lá. Foi lá inclusive uma das três paradas de cerca de 15 minutos que a van fez. Aproveitamos essa parada para tirar algumas fotos do hotel, que possuía alguns carros antigos espalhados:

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Chegamos em Sarajevo próximo das 15h, deixamos as malas no nosso apartamento e então saímos para uma rápida volta no centro, pois ainda estávamos cansados da viagem de van. Paramos num café logo na entrada da Baščaršija, o centro histórico, cultural e de lojas da cidade para comer os famosos doces de lá: uma fatia saía por 2 marcos (cerca de R$5).

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Depois do doce apenas demos mais uma volta por ali e regressamos ao nosso apartamento. Infelizmente o local estava em obras e dificultava um pouco o trajeto dos pedestres, mas nada que atrapalhasse o passeio.

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Para não perder o costume, o Fábio pediu um sanduíche grego (4 marcos, R$10), numa pequena lanchonete localizada bem próximo ao café:

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Já no dia seguinte saímos de casa próximo das 09h para visitar os pontos turísticos próximos ao centro. Boa parte da cidade é cortada pelo Rio Miljacka, ou seja, há inúmeras pequenas pontes separando um lado do outro. A primeira parada foi na City Hall, um dos pontos mais afetados pela Guerra do início da década de 90, onde foram queimados inúmeros livros de inestimável valor histórico. Foi por lá também um dos acontecimentos históricos mais importantes que foi um dos motivadores da Primeira Guerra Mundial: o Assassinato de Sarajevo, que nada mais foi do que um atentado a Franz Ferdinand (e sua esposa), arqueduque do Império Áustrio-Húngaro.

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Passamos para o outro lado da ponte e andamos um pouco por lá, passando por praças, mesquitas e alguns outros pontos com menos importância turística.

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Voltamos para a rua principal do centro da cidade, a Mula Mustafa Bašeskija, também aproveitando a caminhada para mais algumas fotos:

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A nossa próxima parada foi na Galeria 11/07/95 (ingresso a 12 marcos, ou R$30), que mostra em diversas fotos e vídeos detalhes da Guerra que assolou a cidade entre os anos de 1992 e 1995, causando a morte de milhares de pessoas, inexplicavelmente mais civis do que militares. É impossível não se emocionar lá dentro, sobretudo assistindo aos vídeos da época onde crianças comentam sobre a Guerra como se fosse algo que devesse fazer parte de suas vidas ou então as cenas onde pessoas correm entre as ruas para fugir dos tiros dos snipers.

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Diversos prédios da cidade ainda possuem lembranças da Guerra, pois sequer foram reformados ou pintados para esconder as marcas de tiros e bombas que os atingiram, sendo realmente algo impactante:

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Um dos episódios mais marcantes da época da guerra foi um concurso de beleza realizado na cidade sitiada em 1993, onde as candidatas a miss seguraram uma faixa com os seguintes dizeres: “Don’t let them kill us”. Esse evento inclusive foi tema de uma música do U2, gravada em 1995 (Miss Sarajevo).

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A cidade de Sarajevo também é conhecida como a Jerusalém Européia, por conter em um mesmo quarteirão quatro edifícios representando a Igreja Católica, uma mesquita, uma Igreja Ortodoxa e uma sinagoga.

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Igreja Católica

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Igreja Ortodoxa

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Sinagoga

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Mesquita

O restante do dia passamos o dia muito bem acompanhado da simpaticíssima Gordana Bosnic, a mãe de Ivan Bosnic, um de nossos melhores amigos aqui no Brasil. Ela nos acompanhou num agradável passeio a pé até seu apartamento.

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Para chegar até lá pegamos o tram, a melhor forma para se locomover entre os pontos centrais da cidade. O ticket custou 1.60 marcos (cerca de R$4).

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O apartamento fica num lado mais “novo” da cidade, onde passamos por um renovado shopping center e pelo parlamento do país.

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Ainda no caminho passamos por uma agradável calçada repleta de árvores, que passa praticamente ao lado da Embaixada Brasileira.

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Já no apartamento, fomos presenteados com um verdadeiro banquete, onde o cardápio incluiu sopa de galinha de entrada, a tradicional pita de queijo, e para finalizar um frango (inteiro) acompanhado de purê de batata e tomate:

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De sobremesa ainda tivemos duas opções de doce:

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Finalizamos nosso encontro voltando para a Old Town, passando pelo Teatro Nacional, além de novamente da Igreja Católica:

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Não poderíamos sair de Sarajevo sem experimentar o magnífico cevapi, que nada mais são do pequenos rolinhos de carne de boi e porco misturados com alguns temperos, proporcionando um delicioso sabor. O melhor cevapi de Sarajevo está nos bares Željezničar, que levam o nome de um dos times locais de futebol (inclusive com o símbolo do time na entrada). O prato vem acompanhado de pão, e como estávamos completamente satisfeitos do banquete do almoço, só o Fábio pediu uma porção com 5 rolinhos, pagando apenas 3,5 marcos (R$8,50).

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Assim como Belgrado, curtimos demais a cidade de Sarajevo. Deixamos alguns passeios mais remotos um pouco de lado, sobretudo por conta do encontro com a mãe do Ivan. Dentre eles podemos destacar o que oferece um tour pelo túnel construído durante a guerra para tráfego de suprimentos, o parque Vrelo Bosne e o que sobrou dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1984.

Mas definitivamente recomendamos a cidade!

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