RCI / Vacation Clubs – Oportunidade ou uma armadilha?

Olá pessoal,

Hoje falaremos de uma situação por qual passamos recentemente da qual achamos uma boa idéia compartilhar com vocês. Estávamos em Florianópolis no Mirante Ponto de Vista, quando fomos abordados por uma promoter do Costão do Santinho Resort & Spa. Ela nos questionou se estávamos hospedados em Floripa e nos ofereceu um day-use totalmente gratuito (com direito a um almoço ou uma janta) em troca de uma apresentação de no mínimo de 60 minutos do Vacation Club do hotel. Explicamos que estávamos apenas fazendo um bate-volta e então trocamos o day-use por um jantar com bebidas nacionais inclusas.

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Como ainda iríamos para a parte sul da ilha e o Costão fica no sentido oposto, deixamos a decisão de ir ou não até lá para mais tarde. Perto das 16h estávamos saindo do sul da Ilha, porém acabamos pegando um movimento muito grande para sair de lá, e em cerca de 45 minutos andamos menos que dois quilômetros. Como chegaríamos perto da saída da ilha bem na hora do rush, decidimos pela ida até o Resort, porém como nosso horário da apresentação do programa estava agendado para às 17h30, ligamos lá perguntando se teria problema nos atrasarmos, e então ficou marcado um novo horário para às 19h.

Chegando lá fomos até a recepção central e deixamos um documento, e cada um ganhou uma espécie de crachá de identificação. Após isto fomos direcionados para a área do Vacation Club, onde após aguardarmos  uns quinze minutos fizeram um breve questionário sobre nossos dados pessoais, além da renda mensal, cartões de crédito utilizados e ano e modelo do carro (!?). Achamos estranho que no campo da renda mensal a moça não preencheu o valor respondido, e apenas marcou um risco. Talvez seja algum tipo de estratégia para que os vendedores tentem vender o programa independente da renda da pessoa.

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Após mais alguns minutos, chega o tal do “consultor de vendas”, que num breve tour pelo Costão do Santinho mostra algumas partes do complexo, sempre questionando sobre as viagens que já havíamos feito, quais lugares gostaríamos de conhecer, etc. Durante o bate-papo ele chegou a proferir alguns absurdos ao comentar sobre sua vida particular: falou que era diretor da Nissan e ganhava R$45 mil mensais, porém o trabalho era tão estressante que o obrigava a tomar um remédio de R$15 mil, além de acabar com o casamento e depois ter sido internado seis meses num hospício. Depois destes episódios, ele resolveu abandonar essa vida e passou a trabalhar com viagens ganhando 10 ou mais vezes a menos, já que viajar é a “melhor coisa do mundo” Meio difícil de acreditar, não?

Enfim, depois do tour pelo hotel fomos levados a uma sala com algumas mesas, onde outros vendedores conversavam com outras famílias sobre o tal do Vacation Club. Primeiramente o seu consultor irá preencher uma pequena ficha com detalhes das viagens que já fizemos e quais seriam os nossos três destinos das próximas viagens. E então começa a explanação de fato sobre o programa, sempre reforçando a idéia de que viajar é tudo de bom. De forma bem resumida, o programa funciona da seguinte maneira: você adquire 600 mil pontos válidos para utilização durante os próximos 10 anos, sendo que para cada semana de utilização você gasta uma quantidade de pontos, dependendo do período (baixa, média ou alta temporada) e do local da reserva. Especificamente para o Costão do Santinho, cada semana custava os valores abaixo (não lembramos a pontuação exata, mas era bem próximo):

  • baixa temporada: 10 mil pontos
  • média temporada: 18 mil pontos
  • alta temporada: 26 mil pontos
  • altíssima temporada (Reveillón): 36 mil pontos

Para fazer o intercâmbio para outro hotel nacional, ou seja, utilizar sua pontuação em outro hotel que não fosse o Costão do Santinho, você teria que arcar com uma taxa de cerca de R$700 por semana utilizada. Além disso tinha uma outra variável que era a “pontuação do hotel”. Pelo que nos foi explicado o Costão do Santinho tinha a pontuação máxima (20 pontos), ou seja, utilizar a pontuação em outro hotel participante do programa poderia sair mais em conta do que utilizar no Costão (porém em nenhum momento nos foi passada a pontuação necessária para reservas em outros hotéis).

Para utilizar os pontos em hotéis fora do país, a taxa por semana é um pouco mais cara (cerca de R$900). Além disso, você precisará se filiar ao RCI, que seria o programa internacional neste esquema de vacation clubs. A taxa girava em torno de R$500, porém teria que ser renovada a cada dois anos. Um detalhe interessante é que em oito destinos do mundo não há hotéis da rede disponíveis: Roma, Paris, Londres, Nova York, Los Angeles, San Francisco, Madrid, Barcelona.

Além disso foi comentado em alguns momentos que você conseguiria comprar passagens aéreas a preços muito menores do que os promocionais caso se filiasse a RCI, mas em nenhuma hora nos foi mostrado como seria essa compra e como o sistema funcionava. Nos exemplos dados, passagens da ida e volta para Orlando poderiam sair por R$700 e de ida e volta para Paris na executiva por menos de R$2.000,00.

Depois dessas explicações meio confusas, nos foi apresentado um vídeo de cinco minutos sobre o programa, além do website onde são feitas as reservas. Ao final de toda essa explicação, que sozinha levou mais de 60 minutos, ele nos questiona o que achamos do plano, sem levar em conta a parte financeira do mesmo: falamos que fecharíamos o pacote na hora, se não dependesse de nenhuma ação financeira além das já citadas.

Este primeiro consultor em nenhum momento fala no custo do programa. Quem irá lhe falar sobre os valores será uma espécie de “gerente”, que é chamado pelo primeiro vendedor assim que é finalizada a longa entrevista inicial. Em mais uma jogada para lhe deixar ainda mais empolgado, este gerente dá uma oportunidade de você acertar o valor para se filiar ao programa: em caso de acerto o casal ganharia na hora uma viagem de 7 dias para Cancún com tudo incluso. Nossos chutes chegaram próximos … ao valor da entrada. Para adquirir a pontuação dos 600 mil pontos válidos por 10 anos, o valor era de míseros R$102.000,00, sendo R$32.000,00 de entrada e mais 12 “parcelinhas” de R$6.000,00. Tranquilo, não?

No entanto eles atacam mais uma vez o seu psicológico, explicando que o sucesso de vendas era tão grande que eles encerrariam as vendas alguns meses antes do previsto inicialmente, diminuindo assim gastos com marketing, custo dos vendedores, etc, e claro que nada mais justo do que passar essa economia para o cliente final do programa. Então, para assinarmos o contrato ali, naquele momento, teríamos uma oportunidade de pagar apenas R$80.000,00, sendo R$20.000,00 de entrada e 36 parcelas de R$1.666,66.

Depois de negarmos veementemente essa nova oferta e escutar até histórias da Bíblia para tentar nos convencer de adquirir o plano, temos a terceira tentativa de venda do plano: pela metade da quantidade de pontos ofertada inicialmente, ou seja, 300 mil pontos (também válidos por 10 anos), pagaríamos cerca de R$40.000,00, sendo R$10.000 de entrada e o restante dividido em 36 parcelas de R$833,33.

Após mais uma longa sequência de negativas, eles partem para a última e derradeira oferta: 150 mil pontos (estes válidos por apenas 5 anos) por cerca de R$20.000,00, sem nenhum valor de entrada e parcelado em 36 vezes. Nosso palpite é que nessa hora várias pessoas acabam fechando negócio, muito mais pela lavagem cerebral proporcionada pelos vendedores ou até mesmo pela chateação causada pelos mesmos do que pelo plano em si. Neste ponto fizemos um questionamento importantíssimo sobre a carência do programa: você só poderá usufruir do plano a partir do momento em que pagou 35% do valor total, ou seja, neste último caso você ficaria um ano pagando sem poder usar seus pontos, a não ser que resolvesse dar um “balão” para chegar aos 35%.

Nós, é claro, seguimos negando a oferta e finalmente depois de passados mais de trinta minutos da chegada do tal do “gerente”, o mesmo se retirou e sequer nos cumprimentou antes de sair, claramente “puto da cara”.

Neste momento o primeiro vendedor nos informa que virá uma moça nos questionar como foi o atendimento dele, e agradece a oportunidade de pelo menos nos mostrar o clube de férias. Pensamos que não precisaríamos negar mais nenhuma oferta, mas após um brevíssimo questionário a moça nos entrega um papel com a última e derradeira oferta: uma espécie de “degustação” do clube, válido por 3 anos, ao custo de R$8.500,00 e válido para cinco semanas de viagens, sendo uma delas internacional, com um pequeno detalhe: cada semana custaria um adicional de “a partir” de R$1.200,00. Novamente tivemos que negar, pelo menos dessa vez não houve nenhuma nova tática de convencimento, apenas uma demora de cerca de 10 minutos para finalmente nos trazer o voucher que nos daria a janta grátis com as bebidas inclusas.

Chegando em casa com mais calma fomos dar uma breve pesquisada sobre estes programas de férias e na hora já pudemos notar que pelos relatos publicados, fugimos de uma roubada. Observamos que este tipo de programa de férias é vendido em diversos resorts do Brasil, e as reclamações são frequentes. Como exemplo podemos pegar o Enotel, hotel de Porto de Galinhas, pela quantidade de reclamações no site ReclameAqui. Até notícia de ação judicial contra a RCI pode ser encontrada. No fórum Falando de Viagem, há também um tópico com diversos posts sobre este tipo de programa. Nos relatos que lemos os principais pontos citados são os seguintes:

  • Dificuldade em realizar reservas, mesmo em média temporada ou então tentando agendar para a alta temporada com bastante antecedência. Durante toda a conversa nos é vendida a idéia de que não teríamos problemas com reservas.
  • Sistema All/VIP Inclusive nem sempre está incluso na reserva pela troca dos pontos. Muitas pessoas reclamam que tiveram que arcar com valores altos para incluir o sistema de refeição all-inclusive nas reservas
  • Valor pago pelo clube + valor do intercâmbio + valor das refeições acabava ficando maior do que fazer a reserva sem ser associado.
  • Extrema dificuldade em remanejar datas de reservas, mesmo com bastante antecedência
  • Multas pesadas para cancelamento do contrato
  • Expiração dos pontos a cada ano, ao contrário do informado no momento da venda, onde não haveria expiração

Para ser justo, encontramos também relatos de pessoas elogiando o programa, dizendo que nunca tiveram problemas com reservas e que tudo corre a mil maravilhas. Porém olhando percentualmente, as reclamações superam os 95% do total de veredictos.

O objetivo deste post aqui é simplesmente alertá-los sobre esse e qualquer outro tipo de programa de férias que lhe for ofertado: não caia na lábia dos vendedores ou então na emoção do momento, pois saiba que você estará criando uma dívida pelos próximos três anos, além do alto valor da entrada dependendo de qual plano adquirir. Assim como qualquer outra aquisição que você faz na vida, busque pelo menos fazer uma pesquisa antes de assinar qualquer papel, sobretudo porquê depois de mais de duas horas escutando os vendedores buzinarem na sua orelha, certamente você não vai ler as letrinhas miúdas nas dezenas de páginas do contrato.

A estratégia da “oportunidade única” é bastante agressiva e muitas vezes as pessoas acabam seduzidas pelas vantagens oferecidas e fecham os olhos para os eventuais asteriscos ou regras que não estão explícitas e podem transformar o clube dos sonhos num verdadeiro inferno.

6 thoughts on “RCI / Vacation Clubs – Oportunidade ou uma armadilha?

  1. Pingback: Retrospectiva 2016 | ALFA Dicas de Viagens

  2. Exatamente isso. Até parece que fomos nós que escrevemos este post. Foi exatamente isso que aconteceu com a gente! Parabéns pelo artigo!

  3. Exatamente isso. Até parece que fomos nós que escrevemos este post. Foi isso que aconteceu com a gente! Parabéns pelo artigo!

  4. Boa noite, meu nome é Rangel, comprei nesse fim de semana 6 cotas do royal thermas em olimpia sp, cada uma saiu por 40mil sendo que para cada uma delas tenho direito á 2 semanas alta e 2 semanas altissima temporadas me pareceu um bom negocio, pois dentro do hotel acabei conhecendo pessoas que tem já mais de 20 cotas e compram pra fazer investimentos e foi esse meu interesse maior opinião negativa de reclame aqui não pode ser levado em conta para negocios, pois se fosse assim ninguém assinava net sky ou comprava carro zero pois todas empresas tem reclamações de insatisfação ainda vai demorar 6 meses para as minha cotas começarem a dar retorno financeiro vou aguardar ouvi relatos de pessoas que investem até mais de 100 cotas em varios resorts em todo pais e até fora, esse é meu interesse garantir minha aposentadoria já que com esse governo podemos esquecer disso, vou postando pra vcs minha experiência, espero que seje boa rsrs.

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