A infidelidade dos programas de fidelidade brasileiros

Olá pessoal,

Hoje o post vai abranger um pouco mais das (infelizes) situações dos programas de fidelidade das quatro companhias aéreas brasileiras:

  • TudoAzul (Azul)
  • Amigo (Avianca)
  • Smiles (GOL)
  • Multiplus (LATAM)

amigo multiplus smiles tudoazul

Quando você pensa num programa de fidelidade, o que lhe vem a cabeça certamente é o seguinte pensamento: quanto mais eu usufruir dos serviços dessa empresa, terei mais vantagens, consequentemente usarei ainda mais os serviços e me tornarei um cliente VIP dessa empresa, correto? Pois bem, todos os programas de fidelidade das companhias brasileiras se esforçam para que não seja isso que aconteça, por mais contraditório que isso possa parecer.

A TENTATIVA DE ELIMINAÇÃO DOS “MILHEIROS”

Muita gente não sabe, mas existem por aí inúmeras pessoas que praticamente vivem apenas com o comércio de compra e venda de milhas. O fluxo do processo é bem simples: eles compram 1.000 milhas por um valor X, e vendem por um valor X + Y, e desta forma lucram centenas ou milhares de reais mensalmente.

Pois bem, todos os programas de fidelidade, com exceção do Amigo, implementaram alterações em seus programas que justamente limitam esse comércio desenfreado de milhas. No programa TudoAzul cada CPF pode emitir passagens num intervalo de 12 meses para somente 20 CPFs, já nos programas Smiles e Multiplus esta limitação é de 25 passageiros distintos.

A medida seria válida, porém os principais responsáveis pela existência de tantas milhas no mercado são justamente os programas de fidelidade, que criam infinitas promoções para a aquisição de milhas ou então para o acúmulo de milhas na compra em sites parceiros. Recentemente, por exemplo, tivemos uma promoção que dava 12 pontos Multiplus a cada R$1 gasto na compra de aparelhos da Samsung. Além disso, de um tempo para cá, todos os programas, com exceção do Amigo, criaram os clubes de milhas, onde o cliente paga um valor determinado por mês e acumula uma quantidade de milhas mensalmente.

Ou seja, primeiramente entopem os clientes de milhas e depois não permitem que esta pessoa emita para conhecidos ou venda em sites que comercializem milhas todas essas milhas acumuladas. Não custa lembrar que num resultado inédito, uma ação movida por um cliente que tinha quase 4 milhões de milhas Multiplus resultou em parecer favorável ao solicitante, que poderá agora emitir passagens para quem bem entender. Vamos aguardar para ver o desfecho dos próximos capítulos.

INDISPONIBILIDADE NOS RESGATES

É comum acontecer também indisponibilidade para resgate de passagens em determinas rotas e em determinados períodos, sobretudo quando há mais demanda. Porém ao efetuar a mesma pesquisa para uma passagem pagante, a disponibilidade quase sempre existe. Ou seja, você acumula as milhas com o objetivo de usá-las numa eventual viagem em alta temporada, e quase nunca consegue emitir, pois os sites simplesmente somem com as disponibilidades.

RESGATES COM VALORES ESTRATOFÉRICOS

Outra prática bastante comum nesta questão de resgates são as exorbitantes quantidade de milhas necessárias para resgates que não custam tanto se fossem pagos. Por exemplo vejam o resgate abaixo, de Curitiba para Fernando de Noronha, no longiquo mês de setembro.

resgate

MUDANÇAS SEMPRE PARA PIOR

Aqui vale uma menção especial ao programa Amigo, que de queridinho dos programas nacionais acabou se transformando no pior deles após a alteração no valor dos resgates anunciada em setembro de 2018 e posta em prática em meados de outubro. Esta mudança ocasionou aumentos de até 400% em trechos da malha da Star Alliance, que eram de longe os mais vantajosos neste programa de fidelidade. Na realidade, a maioria dos trechos teve pelo menos 100% de aumento, inviabilizando qualquer resgate vantajoso.

Mais recentemente foi a vez da Smiles anunciar uma série de alterações em seu programa, sobretudo para a categoria Diamante, que seria a mais top. Podemos dar ênfase em alguns pontos negativos, como:

  • Aumento no valor máximo de pontos em resgate nacionais de 25.000 para 35.000 para clientes Diamante
  • Fim do acúmulo de pontos qualificáveis nas transferências do cartão de crédito.
  • Fim da possibilidade de emissão da passagem cortesia para o Estados Unidos ou Caribe, mantendo somente para voos na América do Sul

Outro ponto que teve alteração recente, neste caso na Multiplus, foi a quantidade de pontos/milhas necessário para obter a categoria máxima do programa, alterando absurdamente a quantidade de milhas necessárias para que se obtenha o status.

CONCLUSÃO

É claro que existem algumas vantagens ainda muito boas, como a passagem cortesia para um acompanhante a cada ano nos programas da Azul (apenas voos nacionais) e Smiles, o despacho gratuito de bagagens (lembrando, é claro, que até o final de 2016 não existia cobrança de despacho de bagagem para nenhuma pessoa), a possibilidade de escolher os assentos com mais espaço gratuitamente ou a entrada em salas VIP de aeroporto.

Mas como há alterações (geralmente para pior) praticamente todo ano, qual é a garantia de estabilidade que o cliente vai ter? Do que adianta obter o status máximo em determinada companhia já sabendo que no ano que vem virão mais alterações?

Infelizmente todos os programas de fidelidade das companhias brasileiras vem num declínio impressionante. A cada ano que passa as vantagens vão se esvaindo e fica cada vez mais difícil obter os status máximos em cada companhia, o que leva o viajante assíduo a rever se compensa escolher apenas uma companhia aérea e se fidelizar a ela, pois aparentemente esta estrada não é uma via de mão dupla.

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